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05/12/2018

DOAÇÃO DE SÊMEN

Você já pensou em doar sêmen? Antes de responder, saiba que esse ato pode ajudar casais que enfrentam a infertilidade ou que não podem gestar um bebê por algum outro motivo. Se você ficou interessado saiba que existem regras para doar. De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), toda doação de gametas deve ser anônima e sem nenhum tipo de envolvimento financeiro – ao contrário de outros países, como os EUA, por exemplo, em que a identidade do doador pode ser revelada e em algumas circunstancias também pode haver ganho financeiro no processo de doação - recepção. Aqui, os casais que pretendem ter filhos através de técnicas de reprodução assitida com sêmen ou óvulos doados não podem conhecer o doador e nem o doador conhecer o receptor. Veja como se dá todo o processo de doação de sêmen no Brasil.

Quem pode doar?

Qualquer pessoa pode se candidatar a ser um doador, desde que seja voluntário, visto que a legislação brasileira não permite o comércio nem a remuneração desse serviço. Porém, existem algumas regras, como em relação à idade, que é de 18 a 40 anos. Também é solicitada uma análise criteriosa da saúde do doador, que não pode ter histórico de doença genética ou crônica própria ou na família, nem de doenças sexualmente transmissíveis e malformações.

Quais características podem ser reveladas sobre o doador?

Se a mulher tiver interesse ela pode saber muito mais sobre o pai biológico do seu futuro filho. No Pro-Seed, por exemplo, um dos maiores bancos de sêmen do Brasil, é possível ter conhecimento sobre as seguintes características do doador: fator ABO, RH, raça, origem étnica, religião, cor de pele, cor e textura dos cabelos, cor dos olhos, altura, peso, ocupação, hobby, signo, comida favorita, cor predileta, se gosta ou tem animal de estimação, se é fumante ou foi, gosto musical, se gosta de viajar muito, se prestou serviço militar, quais idiomas fala, se tem deficiências visual ou auditiva, se tem alguma alergia, se vai ao dentista regularmente, se faz atividades físicas, dieta suplementar e se tem casos de gêmeos na família. Na maioria das clínicas brasileiras, como na Genics Medicina Reprodutiva, também é possível ter acesso a essas informações, além do estado de saúde do doador. "Os processos brasileiros são de excelente qualidade. O que acontece é que não existem campanhas e políticas para doação de gametas. As clínicas no Brasil usam bancos próprios, restritos aos pacientes de cada clínica, e a doação é voluntária, ou seja, não é paga como acontece lá fora, mas o Brasil tem a mesma competência para os processos que envolvem doação de gametas e oferece a mesma segurança", explica Philip Wolff, professor e doutor em Ciências Biomédicas e diretor da Genics Medicina Reprodutiva.
Exames solicitados para avaliar a saúde do doador.

Durante a avaliação clínica do doador, ele é submetido aos seguintes exames:

Cariótipo, Treponema pallidum (Sífilis), HIV 1, HIV 2, HBV, HCV, HTLV I e II, vírus Zika, Chlamydiatrachomatis (Clamídia) e Neisseriagonorrhoeae (Gonorreia).
Como é o processo de armazenamento do sêmen

Como é o procedimento

A coleta do esperma para o banco é feita em hospitais e clínicas de reprodução humana, por meio da masturbação masculina, mas existem casos em que pode ser realizada por cirurgia. Após a coleta é feita a análise seminal, que verifica a qualidade dos gametas. Estando dentro dos parâmetros sugeridos pela Organização Mundial de Saúde, o material é armazenado por meio da técnica de criopreservação - processo de congelamento do material em nitrogênio líquido a 196 ºC, o que permite seu uso no futuro em processos de reprodução humana assistida, como a Fertilização In Vitro ou a Inseminação Artificial. Normalmente os médicos procuram oferecer amostras de doadores que tenham características físicas parecidas com a do receptor, como tipagem sanguínea, cor dos olhos, do cabelo e da pele.

Segundo Philip Wolff, a criopreservação também é empregada antes de procedimentos cirúrgicos que possam afetar a capacidade do homem em produzir espermatozoides. Pacientes que serão submetidos à vasectomia ou a tratamentos específicos de quimioterapia e radioterapia, que geralmente causam danos irreparáveis ao tecido germinativo masculino, também se beneficiam com essa técnica.

"Mais recentemente, a criopreservação de espermatozoides tem sido empregada para armazenar células excedentes, provenientes de aspirados do epidídimo ou do testículo, para eventual uso em técnicas de reprodução assistida de alta complexidade (como a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide - ICSI). Os mesmos métodos também são utilizados para armazenar espermatozoides obtidos durante a reconstrução microcirúrgica do trato genital masculino (Vasovasostomia e Vasoepidídimostomia), como uma provável garantia de resguardar a fertilidade futura do homem", explica Wolff.