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21/01/2019

Barriga solidária

 

Já vimos casos de irmãs que emprestam a barriga para gerar o filho da outra e até de mães que fazem o mesmo por suas filhas. No entanto, é bem mais raro encontrar um caso como o de Andreia Carrasco, 43, e Jessica, 21, que vivem em Mauá, região metropolitana de São Paulo. A filha não hesitou em ser barriga solidária da mãe, quando soube que ela não poderia gestar outro filho, um desejo antigo. “Fui criada sem pai e sem mãe, na casa de uma tia um dia, na casa de um parente no outro. Sempre fui muito sozinha. Então, meu grande sonho sempre foi ter uma família grande. Me casei novamente, tive a Jessica e sempre quis ter mais um filho (e a Jessica sempre me pediu um irmãozinho). Quando tentei engravidar novamente, aos 32, depois de fazer vários exames, descobri a falência ovariana precoce, ou seja, menopausa precoce. Meu mundo desabou naquele momento”, lembra Andreia, em entrevista exclusiva à CRESCER.

 

Ela, então, foi buscar ajuda e passou a fazer vários tratamentos com especialistas em reprodução humana. Um dos médicos sugeriu que ela fizesse uma fertilização in vitro com óvulos doados. “Meu marido, na época, não entendia e não quis fazer. Fiquei arrasada. O tempo passou e nos separamos”, conta. Anos depois, Andreia conheceu Rogério Carrasco, 46, e casou-se novamente. Como não tinha nenhum filho, o sonho dele era ser pai. Mesmo sabendo que Andreia não poderia ter mais filhos, no entanto, ele entrou de cabeça no relacionamento e passou a tratar Jessica como filha dele.

 

 

Jessica e a mãe, Andreia (Foto: Arquivo pessoal)Jessica e a mãe, Andreia (Foto: Arquivo pessoal)

O desejo de ser mãe novamente, no entanto, nunca se apagou em Andreia, e ela, que está com ovários, útero e endométrio atróficos, decidiu fazer novas tentativas. “Fiz tratamento com hormônios e outros medicamentos em 2018, mas sem sucesso”, diz. ‘Com meu endométrio ruim, o embrião não consegue se fixar”.

Jessica, sua filha, acompanhou todas as etapas do tratamento e ia junto com a mãe quando ela precisava fazer os exames, como os ultrassons. “Eu chorava porque nasda do que eu tomava de medicamentos fazia meu endométrio se espessar. Então, um dia, o médico me falou que a única possibilidade de eu ter outro filho seria por barriga solidária. Minha filha, na hora em que ouviu isso, falou: ‘Mãe, vou ser sua barriga solidária. Você vai ter seu bebê e eu vou ter meu irmãozinho’. Chorei de emoção”, lembra. “Foi uma mistura de emoções. Foi amor e gratidão porque eu conheço a filha que eu tenho. Ela é um presente de Deus. É amorosa, bondosa, se solidariza com o próximo, doa sangue - já fez até doação de óvulos no início de 2018. Ela é um ser humano incrível. Só sei amar”, derrete-se a mãe.

Jessica, Andreia e Rogério (Foto: Arquivo pessoal)Jessica, Andreia e Rogério (Foto: Arquivo pessoal)

Jessica está grávida de 11 semanas de um menino. O bebê deve nascer em agosto. “Vê-la grávida do meu bebê só me faz agradecer a Deus todos os dias por ter me dado uma filha tão maravilhosa como ela, para eu cuidar. Esse procedimento foi muito bem conversado entre todos. Para nós é super normal, e ela está super consciente do que está fazendo”, afirma. “Muitas pessoas acham um gesto nobre, outros criticam e falam coisas absurdas”, diz Andreia, que consegue acompanhar a gestação bem de perto, já que Jessica é solteira e mora com ela. “No momento, Jessica não pensa em ter filhos dela. Talvez, num futuro bem distante. Ela quer terminar a faculdade, fazer pós graduação e viajar para fora do país”, conta a mãe. 

Andreia beija a barriga de Jessica, grávida de 11 semanas (Foto: Arquivo pessoal)Andreia beija a barriga de Jessica, grávida de 11 semanas (Foto: Arquivo pessoal)


BARRIGA SOLIDÁRIA: ENTENDA COMO FUNCIONA
Podem recorrer à barriga solidária ou cessão temporária de útero, que é o termo mais correto, casais que comprovadamente não sejam capazes de gerar um filho, como aqueles cuja mulher tem má formações no aparelho reprodutor. Se o homem e a mulher não forem estéreis, ou seja, produzirem óvulos e espermatozóides saudáveis, é possível realizar a fertilização in vitro e implantar o embrião com a carga genética dos pais na mulher que aceitou emprestar seu útero. Caso contrário, o casal pode recorrer à doação de óvulos ou espermatozóides, também realizada em clínicas de fertilização.

 

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